Uma proposta de estudo, pesquisa, análise de textos clássicos, criação e montagem de espetáculo cênico de
palhaçaria que pretende retratar a miséria humana com humor, lirismo, crítica, habilidades
circenses e romantismo.
O
projeto " Eis a questão: ser ou ter?" da BR - Produções Culturais
propõe o estudo, pesquisa, análise de textos clássicos, produção e criação
artística de espetáculo cênico voltado para a estética da palhaçaria. Para tal, possui o apoio financeiro do FUNDO DE APOIO À CULTURA - FAC - da Secretaria de Estado de Cultura do DF.
Essa pesquisa refletirá o elemento trágico revisto numa
dupla direção, onde se fundem o elemento existencial, de caráter universalista,
o elemento político e social, de características mais tópicas e o elemento da
estética da palhaçaria.
Diante da diversidade de textos trágicos teatrais e da
literatura mundial, teremos como fonte de inspiração certas questões levantadas
nas seguintes obras: "Ser ou não
ser, eis a questão" encontrada em Hamlet, de William Shakespeare; ou “Foi nesta vacaria, cheia de bostas secas e ocas que
se desfaziam com um suspiro quando lhes espetava o dedo, que pela primeira vez
na minha vida, e diria de bom grado a última se não tivesses de poupar no
cianeto, tive de me defender de um sentimento que pouco a pouco assumiu, para
meu infortúnio, o terrível nome de amor" encontrada em Meu primeiro amor de Samuel Beckett;
ou a reflexão de uma sociedade que se desfalece encontrada em O
capote de Gogol, texto inovador que, segundo Dostoiévski, contribui para a
“invenção” da cidade “mais fantástica do mundo”, onde os personagens fictícios,
frustrados e solitários do autor se perdem e perdem o que têm de mais íntimo (o
nariz, o juízo, a identidade, o capote); e outras
obras que poderão surgir no decorrer da pesquisa. Essas obras servirão de base
para refletir sobre o elemento trágico da existência humana e sua utilização no
processo criativo no espetáculo cômico.
A comicidade será trabalhada no formato da estética da palhaçaria e terá a dupla de palhaços, colocados numa
situação de extrema miséria, como veículos e provocadores do humor trágico.
De antemão, a situação em que pretendemos colocar os
nossos dois palhaços é a seguinte: o palhaço (o homem) vive num cemitério, numa
cripta, em situação de extrema pobreza. O outro (a mulher) realiza visitas
diárias no túmulo de seu ente querido. Num dia qualquer, onde ocorre os acasos,
os dois se encontram e iniciam o processo de reconhecimento, conquista amorosa
e sedução. Cada um com seus elementos, seus dotes físicos, habilidades corporais, vocais e instrumentais.
As cenas serão construídas no processo colaborativo e terá, como metodologia de
trabalho e processo criativo, a
improvisação. Esta será estimulada por elementos visuais, sonoros, textuais,
filmes, provocações, etc.
Ademais, segundo Sérgio Mota: (2011, p. 10), "herdamos
dos gregos todo um modo de pensar e fazer teatro - o texto, o ator, as
convenções cênicas, a encenação, a teoria sobre o sentido da tragédia, enfim,
uma herança da poética da tragédia. Contudo, deparamo-nos com tradição teatral
que envolve diversas formas e técnicas de representação, tais como: modelo de
construção dramática, a fusão das artes, a convivência do épico e do dramático,
a presença do discurso poético, a possibilidade de diferentes formas de jogo
para o ator. Por outro lado, essa tradição também nos aponta para uma série de
conceitos e temas, como a catarse, o herói, a representação do patético, o
trágico, entre outros". Estamos em busca acerca do questionamento da ordem
social e política da sociedade brasileira e da criação da estética do palhaço.
Essa proposta afirma sua
relevância cultural ao propor um espaço de realização e reflexão de obras para
a cena. Com isso, estabelece uma abordagem global, utilizada como metodologia
para o processo criativo, tornando
possível a compreensão das etapas fundamentais de uma montagem cênica e,
principalmente, aproximando-a da atividade de pesquisa.
Ao utilizar questões célebres, localizadas nas obras
desses autores mundialmente conhecidos, como ponto de partida para o processo
criativo teatral, estabeleceremos um diálogo entre as questões individuais e
coletivas vividas pela sociedade contemporânea. Entre a época de William
Shakespeare, onde um de seus personagens célebres questiona a existência humana
na frase "Ser ou não ser, eis a questão". Ou seja, ser aquilo que
deve ser ou ser uma aparência daquilo que os outros desejam que ele seja.
Agora, numa época onde consumismo impera, onde as pessoas
são aquilo que aparentam ser, propomos a reflexão "Ser ou ter". Nessa
sociedade quanto mais bem material o homem possui ele é alguém importante e é
reverenciado pelos que não têm. E quem não tem dinheiro? Os que não possuem bem
material algum? Essas pessoas não existem nessa sociedade capitalista? Quantos
moradores de rua, moradores de bueiros, pessoas que moram debaixo de pontes, em
lona, e que são considerados indigentes. Muitas dessas pessoas circulam por
esse enorme país e não são considerados parte dessa população brasileira porque
não possui um registro de nascimento, CPF ou carteira de identidade.
Nada melhor que colocar essa indagação na figuração de
dois palhaços. Com isso, abordaremos outras questões encontradas nas outras
obras de Samuel Beckett e Gogol. O humor deverá manter-se firme na evolução do
espetáculo, os personagens habitados em pura miséria terão um lirismo exacerbado
pela vida. O romantismo aparecerá na relação do encontro desses dois palhaços
solitários e que se reconhecerão e se apaixonarão pelo são e não pelo que
possuem.
A viabilidade prática dessa proposta é garantida pela
experiência dos profissionais envolvidos, pelo desejo de todos em trabalhar em
grupo e com o processo colaborativo. Essa proposta terá como fator marcante a
criação e elaboração de dramaturgia. Esta será realizada em sala de ensaio, por
meio de improvisos e experimentações.
Sobre o nome do espetáculo, segundo um estudo da Flowers
and Plants Association da Inglaterra, "Rosas e Lírios" frescos contêm
feniletilamina. Esta substância, responsável pelo perfume destas flores,
estimula o organismo a liberar endorfina, hormônio que produz sensações de
prazer. O espetáculo propõe elevar o nível de prazer do seu público por meio do
riso gerado pelos palhaços e do prazer da apreciação da estética cênica
elaborada.
Acreditamos que este projeto atenderá uma parte da
população do Distrito Federal que não possui um contato intenso com as artes
cênicas. Por isso, objetivamos levar oficina teatral e apresentações gratuitas
para comunidades que não consomem a arte teatral. A questão da formação de
público consumidor da arte teatral é bastante discutida no nosso coletivo. Além
disso, essas ações, de alguma forma, darão a oportunidade desse público
apreciar o gosto estético e, com isso, despertar o desejo de voltar a
apreciá-lo uma outra vez.
Ademais, acreditamos na aprovação dessa proposta por tudo
que já foi acima mencionado, pela experiência, pelas realizações do grupo BR
S.A. - Coletivo de Artistas comprovadas em seu histórico e pela excelência
artística encontradas no projeto "Eis a questão: ser ou ter?".
FICHA TÉCNICA
Espetáculo: Cravos & Lírios
Concepção, criação e atuação: Ana Vaz e Denis Camargo
Assessoria de Direção e Dramaturgia: Lidiane Araújo
Assessoria de palhaçaria: Ana Flávia Garcia
Direção Musical: Marco Michelângelo
Preparação corporal: Ana Vaz
Cenografia: Roustang Carilho
Montagem: Roustang Carilho e BR s.a.
Figurinos: Andrea Patzsch
Iluminação: Diego Borges
Operador de Luz: Diego Borges
Montagem: kléber Werner
Assessor de divulgação: Pedro Caroca
Assistente de divulgação: Luciana Matias
Produção Executiva: Ludmilla Valejo
Assistente: Lupe Leal
Fotógrafo: Vitor Schietti
Filmagem: Godzilla Filmes
Gestão do projeto e Coordenação de Produção: Denis Camargo
Realização: BR S.A. - Coletivo de Artistas
Concepção, criação e atuação: Ana Vaz e Denis Camargo
Assessoria de Direção e Dramaturgia: Lidiane Araújo
Assessoria de palhaçaria: Ana Flávia Garcia
Direção Musical: Marco Michelângelo
Preparação corporal: Ana Vaz
Cenografia: Roustang Carilho
Montagem: Roustang Carilho e BR s.a.
Figurinos: Andrea Patzsch
Iluminação: Diego Borges
Operador de Luz: Diego Borges
Montagem: kléber Werner
Assessor de divulgação: Pedro Caroca
Assistente de divulgação: Luciana Matias
Produção Executiva: Ludmilla Valejo
Assistente: Lupe Leal
Fotógrafo: Vitor Schietti
Filmagem: Godzilla Filmes
Gestão do projeto e Coordenação de Produção: Denis Camargo
Realização: BR S.A. - Coletivo de Artistas
CURRÍCULO
2009/2010 - O Casamento - Uma Grande Comédia!, de
Nicolai Gogol, direção de Denis Camargo e Lidiane Araújo;
2010/2011 - Procura-se - Espatáculo de palhaço de
Rua, direção de Denis Camargo e Gustavo Reinecken;
2010/2011 - A Loja dos Suicidas, livre adaptação do
conto de Jean Teulè, direção de Denis Camargo e Lidiane Araújo;
2011 -
Oficina de interpretação teatral, com apoio da CAL - Centro de extensão da UnB,
ministrado em Brazlândia/DF;
2011 -
Oficina de palhaço, com apoio da CAL - Centro de extensão da UnB, ministrado na
Faculdade Dulcina de Mores/DF.
2011 - O
espetáculo Procura-se participou dos
seguintes festivais/mostras: - 51º Aniversário de Brasília; - IV Mostra Zezito
de Teatro; - SESC Fest Clown 2011 - Festival Internacional de Palhaços; e - IV
Festival Amazônia EnCena de Rua; - Semana Universitária / 2º Semestre 2011 da
UnB.
2012 - Sobre Trutas, Cibalenas e Olhares -
Temporada de 03 a 26 de fevereiro. Direção coletiva. Olhar Geral: Kênia Dias.
2012 - O
espetáculo Sobre Trutas, Cibalenas e
Olhares participou do Cena Contemporânea 2012 - Festival Internacional de
Teatro de Brasília - e da II Bienal de Teatro de Campo Grande/MS.
Ana Vaz, mestre em Artes pela UnB, atriz, coreógrafa, bailarina e palhaça.
Denis Camargo
Denis Camargo que possui larga experiência cênica como pesquisador
teatral, diretor, ator, produtor, palhaço. É mestre e doutorando em Artes pela
universidade de Brasília (UnB)
APOIO FINANCEIRO










Denis, acho que esse trabalho pode servir de inspiração:
ResponderExcluirhttps://www.youtube.com/watch?v=Zrcch9oY2qQ
Começou! BR S.A. em nova montagem, coisa boa vem por aí.
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